segunda-feira, 20 de maio de 2013

TROCAR OS IDOSOS PELOS PRESOS via @marisascruz

Uma ideia a explorar!

Vamos trocar, colocar nossos idosos nas cadeias e os delinquentes fechados
nas ''casas de repouso''.
-Desta maneira, os idosos teriam todos os dias acesso a roupa lavada,
comida, ducha, lazer, jogos e exercícios.
-Teriam medicamentos, assistência médica e odontológica regular e gratuita.
-Estariam permanentemente acompanhados.
-Teriam refeições quentes cinco vezes ao dia.(café da manhã, almoço, café da
tarde, jantar e café a noite) -Não teriam que pagar nada pelo seu
alojamento.
-Teriam direito a vigilância permanente por vídeo e receberiam assistência
imediata em caso de acidente ou emergência sem qualquer custo.
-Suas camas seriam mudadas duas vezes por semana e a roupa lavada e passada
com regularidade.
-Um guarda visitá-los-ia a cada 30 minutos e levar-lhes-ia a correspondência
diretamente em mãos.
-Teriam um local para receberem a família ou "outras visitas".
-Teriam acesso a uma biblioteca, sala de exercícios e terapia
física/espiritual.
-Seriam encorajados a fazer cursos, terapias ocupacionais adequadas, com
formadores, instalações e equipamentos gratuitos.
-Ser-lhes-ia fornecido gratuitamente todas as roupas e produtos de higiêne
pessoal.
*E o salário que é mandado para a família dos presos, iria para a família do
idoso (R$ 860,00).*

Teriam assistência jurídica gratuita.
-Viveriam numa habitação segura, com um pátio para convívio e exercícios.
-Acesso a leitura, computador, televisão, rádio e chamadas telefônicas na
rede fixa.
-Teriam Psicólogos, Assistentes Sociais, Políticos, Televisões, Anistia
Internacional, etc... disponíveis para escutarem as suas queixas.
-O secretariado e os cuidadores seriam obrigados a respeitar um rigoroso
código de conduta, sob pena de serem duramente penalizados.
-Ser-lhes-iam reconhecidos todos os direitos humanos internacionalmente
convencionados e subscritos.



Por outro lado, na casa dos idosos...
-Os delinquentes viveriam numa pequena e tosca habitação, geralmente com
obras feitas há mais de 50 anos.
-Teriam pouca comida e as comeriam muitas vezes fria e fora de hora.
-Teriam que tratar da própria roupa.
-Viveriam sós e sem vigilância.
- Não teriam ninguém que os ajudasse a tomar os medicamentos.
-De vez em quando, seriam vigarizados, assaltados ou até violados.
-Se morressem, poderiam ficar dias, até alguém os encontrar.
-As instituições, jornais e os políticos não lhes dariam qualquer
importância ou assistência.
-Morreriam após anos à espera de uma simples consulta médica ou de uma
operação cirúrgica.
-Não teriam ninguém a quem se queixar.
-Tomariam um banho de 15 em 15 dias, sujeitando-se a não haver água quente.
-Passariam frio no Inverno porque não teriam cobertores suficientes.
-O único entretenimento diário consistiria em ver duas horas de telenovelas.

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O FAT pede socorro - EDITORIAL O ESTADÃO

Criado para custear o seguro-desemprego, dar qualificação profissional ao trabalhador e financiar programas de desenvolvimento e geração de emprego, o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) não está conseguindo cumprir suas funções com receitas próprias, embora essas sejam bilionárias. Suas despesas têm crescido mais depressa do que as receitas, o que tem exigido dinheiro do Tesouro Nacional para equilibrar suas contas. Esse quadro se agravará no futuro, o que já exige a revisão dos critérios dos pagamentos feitos pelo Fundo ou de suas receitas.

Entre 2008 e 2012, as receitas próprias do Fundo de Amparo ao Trabalhador - originárias, basicamente, da contribuição do PIS/Pasep e da remuneração das transferências para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que as aplica em programas de desenvolvimento - cresceram à média anual de 11,4%, tendo alcançado R$ 54,8 bilhões no ano passado. Esse valor não inclui os repasses do Tesouro Nacional. Já as despesas cresceram bem mais, à média de 17,5% ao ano, tendo atingido R$ 57,1 bilhões em 2012. Se contasse apenas com os próprios recursos, o FAT teria registrado um rombo de R$ 2,3 bilhões no ano passado. Como recebeu R$ 5,3 bilhões do Tesouro, encerrou o exercício com um superávit nominal de R$ 3 bilhões.

Em 2013, o socorro será maior, pois o FAT receberá R$ 3,26 bilhões do Tesouro. Mesmo assim, de acordo com as estimativas de resultados até 2016 anexadas ao projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias, deverá ter um rombo de R$ 4,15 bilhões, o que elevará o repasse total para R$ 7,41 bilhões.

A ajuda do Tesouro crescerá nos dois próximos anos (R$ 8,97 bilhões em 2014 e R$ 10,66 bilhões em 2015) e diminuirá em 2016 (R$ 5,0 bilhões). Ou seja, para zerar suas contas, o FAT terá de contar com R$ 32 bilhões do Tesouro.

Mas o rombo pode estar subestimado, por meio de uma previsão de crescimento mais rápido da receita e mais lento das despesas. Entre 2008 e 2012, as receitas próprias do FAT cresceram 22,7% em termos reais, enquanto as despesas, no mesmo período, aumentaram 45,3%, daí o surgimento do rombo. Para o período 2013-2016, admitindo-se a inflação anual de 4,5% em todos os anos (este é o centro da meta que o Banco Central vem mantendo desde 2005 e já foi definido para 2014), as receitas próprias crescerão 41% em valores reais e as despesas, 21,3%, o que significaria a inversão da tendência.

Essa inversão até poderá ocorrer, mas, pelas explicações da direção do FAT para o aumento mais rápido das despesas nos últimos anos, é pouco provável. Os fatores que impulsionaram os gastos continuarão a fazê-lo, talvez até com mais intensidade, no futuro próximo, se nada for mudado.

A formalização crescente do mercado de trabalho fez crescer a arrecadação do FAT, mas também impôs maiores despesas, pois, com a maior movimentação do mercado de trabalho, cresceu o número dos empregados que são demitidos sem justa causa e que se habilitam a receber o salário-desemprego. Igualmente aumentou o número de trabalhadores que ganham até dois salários mínimos e têm direito ao abono salarial. A expectativa é de que essa tendência se mantenha. Além de crescer o número dos beneficiários do FAT, o valor unitário dos benefícios aumenta em termos reais, pois eles são indexados ao salário mínimo, reajustado por índices maiores do que a inflação.

O governo precisa, de fato, fazer estudos "para adequar o fluxo de receitas e despesas do FAT (...) aos novos paradigmas do mercado de trabalho", como sugere o coordenador-geral de recursos do Fundo, Paulo Cesar Bezerra de Moura. Mas isso não basta. A direção do Fundo precisa melhorar a gestão dos recursos. Nas projeções das despesas futuras há um notável crescimento dos gastos com qualificação, que foram de R$ 58,4 milhões em 2012 e deverão alcançar R$ 1 bilhão em 2016. Recorde-se que foi a título de qualificação do trabalhador que entidades sindicais apoiadas pelo Ministério do Trabalho desviaram milhões de reais do Fundo de Amparo ao Trabalhador há alguns anos.

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Riscos da vitória

 VALDO CRUZ

BRASÍLIA - Na base do sufoco, o governo Dilma demonstrou força e ganhou a batalha da votação da MP dos Portos. Agora, terá de administrar os riscos gerados pela vitória.

O primeiro deles reside dentro do próprio Palácio do Planalto. Há uma tentação de usar a vitória para sancionar um modelo de articulação política que mostrou falhas durante boa parte do processo.

O governo avalia, por exemplo, que o resultado fragilizou a visão de que o PMDB é imprescindível para suas disputas na Câmara. Em várias votações da MP, o partido ficou contra o Planalto, mas perdeu.

Na questão atual, análise correta. Dilma derrotou o PMDB do líder Eduardo Cunha. Em futuras, como CPIs, pode não ser. Uma aliança entre peemedebistas e oposição tende a ser fatal para o governo.

Daí que fechar os olhos para os erros políticos não é prudente. Melhor não reagir com o fígado e discutir já a relação com a base aliada.

O segundo risco foi o preço da votação-relâmpago da MP no Senado, que ali chegou a horas de perder validade. Presidente da Casa, Renan Calheiros avisou o Planalto que aprovaria o texto, mas teria de fazer concessões à oposição.

Resultado: MPs devem cair em breve no Senado, pois o compromisso é não mais votá-las caso cheguem com prazo de vencimento inferior a sete dias. O ritmo lerdo da Câmara e a desarticulação governista podem tornar isso frequente.

O terceiro risco está em gestação. Cresce o apoio na Câmara à proposta de tornar obrigatória a liberação das emendas parlamentares, pelas quais congressistas enviam dinheiro para suas bases eleitorais.

Reação à tática governista de bloquear essa grana e soltá-la na véspera de votações importantes, como voltou a ocorrer na MP dos Portos.

No governo, há quem releve tais ameaças no ar. Afinal, nada de vital deve ser enviado ao Congresso a partir de agora. A conferir. Brincar com fogo costuma ser perigoso.

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Política? - AÉCIO NEVES

Começo a semana diferente, com a responsabilidade de dirigir o maior partido de oposição do Brasil.

Ninguém desconhece as enormes dificuldades da representação política no país. Embalado pela profusão de cerca de três dezenas de legendas e pela lógica do modelo de governança de coalizão, o quadro partidário é anêmico: sofre de forte descrédito, movido por denúncias graves de apropriação e manejo indevido de recursos e um sem-número de outras incongruências.

Faltam nitidez programática e posicionamento. No lugar das ideias, prevalece a sobrevivência eleitoral, à reboque de alianças contraditórias. Algumas inexplicáveis.

O aliciamento político, a partilha de cargos e os interesses em extensas áreas da administração pública enfraqueceram o debate nacional e tornaram o exercício do contraditório cada vez mais raro, quase uma excentricidade. Para impedi-lo, lança-se mão do expediente de tentar transmudar cobranças legítimas, críticas e questionamentos em antipatriotismo, como se governo e país fossem um só.

A política de alianças e a composição de uma base congressual extensa e heterogênea, como a atual, só se justificam quando se constituem em ferramenta política para fazer mudanças estruturais necessárias, enfrentar corporativismos ou garantir viabilidade de reformas. É o preço que se paga para fazer o que precisa ser feito, o que, muitas vezes, requer medidas impopulares, que deveriam superar a conveniência da hora ou das urnas futuras.

O descrédito com a atividade política se amplia mais com o descompasso existente no país entre promessa e compromisso. O que, em política, deveria ser sinônimo, na prática são termos que não guardam nenhuma relação entre si.

Recordo, uma vez mais, apenas um dentre inúmeros exemplos, a promessa não cumprida da presidente da República na campanha de 2010 de desonerar as empresas de saneamento como forma de acelerar os investimentos na área.

Temos governos que não se sentem obrigados a cumprir o que pactuaram com a população nas urnas e uma população que, já amortecida por sucessivas frustrações, parece achar isso natural, a ponto de abrir mão de justas cobranças.

E, com isso, reveste de triste verdade a famosa frase de Apparício Torelly, o Barão de Itararé, adaptada à política: de onde menos se espera, daí mesmo é que não sai nada

Nesse ambiente de descrédito, onde todos perdem, os partidos precisam retomar a responsabilidade que lhes cabe na representação da sociedade.

Para nós, do PSDB, uma das principais tarefas nesse campo tem sido buscar formas de impedir que a política perca, aos olhos da população, a sua legitimidade como instrumento transformador da realidade.

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Causa e efeito

O GLOBO 
Na década de 1990, a adoção de uma agressiva política de intolerância com a criminalidade abriu o caminho para a melhoria dos indicadores de violência em Nova York. Em São Paulo, a inversão da curva de modalidades de crimes como homicídio, ao longo da década passada, aproximou os índices de mortes violentas por grupos de cem mil habitantes do patamar considerado aceitável pela Organização das Nações Unidas (10/100 mil), principalmente na capital.

São dois exemplos de metrópoles que recorreram, em seus programas de combate à insegurança pública, ao princípio de que é crucial, em momentos de explosão da violência, prender mais. Nas duas cidades, deu-se uma relação de causa e efeito: a mais prisões corresponderam significativas reduções do número de crimes nas ruas.

Nova York navega hoje em invejáveis números de pacificação, ainda que problemas decorrentes da violência não tenham sido totalmente superados - o que seria utopia. Em São Paulo, mesmo que os índices de criminalidade ainda não estejam dentro de limites toleráveis, inclusive com preocupantes sinalizações nos últimos meses, a situação parece mais sob controle do que há uma década e meia. Em ambos os casos, a permanência de demandas na área de segurança não deve ser interpretada como falência do princípio do incremento de prisões como antídoto contra a violência criminal, mas como ensinamento de que, se prender é importante, não basta encher indiscriminadamente as cadeias de criminosos.

É imperativo que também sejam empregadas outras ações, nos planos da prevenção, para reduzir as oportunidades de crimes (política educacional, programas de inclusão social, oportunidades de emprego etc.), e da recuperação (aperfeiçoamento dos dispositivos correcionais do sistema carcerário, sabidamente tíbios ou mesmo ficcionais, aplicação criteriosa de penas para crimes de menor gravidade, ampliação e melhoria do sistema carcerário, hoje superpopuloso e com um grande déficit de vagas, muitas delas ocupadas por sentenciados que poderiam estar cumprindo penas alternativas).

A discussão sobre a necessidade de aumentar a intolerância com os criminosos, a partir de medidas que incluem o incremento de prisões, reapareceu no início do mês a partir de um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. A análise do Ipea incorpora sugestões para, especificamente, reduzir o número de homicídios no país, mas presta-se, com certeza, a melhorar os indicadores de outros tipos de crimes. Além dessa proposta, o órgão sugere um aumento do efetivo das polícias e medidas eficazes contra a evasão escolar.

São iniciativas que precisam ser tomadas em conjunto com outras ações, inclusive fora dos limites da segurança pública. O país exibe, de forma crônica, números inaceitáveis da violência decorrente da criminalidade. Propostas para melhorá-los, como a do Ipea, merecem ser seriamente consideradas. Até porque atacam uma das piores mazelas da sociedade brasileira, a impunidade.

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Erva daninha - DORA KRAMER

A conversa será nesta semana e o tom, definitivo: a presidente Dilma Rousseff cobrará do vice-presidente, Michel Temer, que o PMDB se decida entre os meios e modos de atuação do líder do partido na Câmara, Eduardo Cunha, e o compromisso de conferir estabilidade política ao governo.

Cunha é visto como uma erva daninha a ser extirpada o quanto antes. Não só pelos danos já causados, mas principalmente pelo potencial de provocar prejuízos futuros. Uma informação que chegou aos ouvidos palacianos determinou a urgência na cobrança ao PMDB: Cunha estaria se preparando para tentar se eleger presidente da Câmara.

Um mal, na visão do governo, a ser cortado pela raiz. O problema é como fazer. Levar a bancada a tirá-lo do cargo parece missão impossível, pois é evidente o apoio da maioria dos 80 deputados peemedebistas ao líder. A ideia, então, é minar a liderança dele, derrotá-lo, esvaziar sua influência fazendo ver ao partido que há mais desvantagens que vantagens na manutenção do clima de tensão permanente.

Segundo avaliação do Planalto, na maratona pela aprovação da MP dos Portos Eduardo Cunha afrontou o governo, confrontou a presidente, apresentou-se como representante dos interesses contrariados pela medida provisória, contribuiu para reanimar a oposição e quis mandar um recado de que comanda o processo político no Congresso. Perdeu no final, mas impôs a Dilma um sério desgaste. Durante dois dias levou o governo às cordas e fez despertar a preocupação de que dias piores poderão vir no Congresso por obra do líder do partido aliado que age como adversário.

Oficialmente, ressalta-se a vitória final da medida provisória. No paralelo, contudo, admite-se que houve falha. Os articuladores palacianos subestimaram a ousadia, a capacidade de articulação, o destemor, a esperteza e, por que não dizer, a inteligência de Eduardo Cunha. Só que na concepção do Planalto tudo tem limite e o episódio deve ser tratado como um “caso extremo” do qual o PMDB precisa saber recuar. Ou, então, dizer com clareza que está na oposição. Com todos os desdobramentos daí decorrentes, inclusive a renovação da aliança e a vaga de vice na chapa pela reeleição em 2014.

Em miúdos bastante objetivos: o partido deve “falar grosso” com o líder na Câmara e fazer ver a ele que daqui em diante é necessário restabelecer regras mínimas de convivência entre aliados. “O que não se pode aceitar é um jogo de confronto constante”, diz um ministro que recusou o chamado de Eduardo Cunha para uma conversa, altas horas da noite na terça-feira, quando a MP dos Portos enfrentava dificuldades para obter quórum na votação de destaques e emendas. “Ele se posicionou como todo poderoso, acreditando que daria as cartas da negociação. A presidente desde o início foi muito clara: seria melhor perder e depois recorrer a decretos do que ceder além do limite do razoável.”

Na visão do governo, Eduardo Cunha foi esperto ao reunir uma “bancada própria” formada por sindicalistas, empresários e políticos contrários a esse ou àquele ponto da MP. Capitalizou todas as contrariedades e apostou no enfrentamento.

Agora a presidente quer saber se fez isso por iniciativa própria ou se tinha o respaldo da direção do partido. “Quem deu a Eduardo Cunha a certeza de que poderia medir forças com o governo?” é uma das perguntas cuja resposta Dilma vai buscar obter na conversa com seu vice Michel Temer. Terá sido um voo solo ou um jogo combinado? A mecânica do confronto vai se repetir? É assim que o PMDB pretende agir? Se for, o governo se diz disposto a repensar tudo. Até mesmo a agenda com o Congresso e a relação com seu principal parceiro.

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Se Dilma fosse japonesa


CLÓVIS ROSSI

FOLHA DE SP 

A economia brasileira cresceu 1,05% no primeiro trimestre do ano, na comparação com o trimestre anterior. A economia do Japão cresceu 0,9%, sempre na comparação entre esses dois períodos.

Quem você imagina, então, que aparece na capa da revista "The Economist", com direito à roupa de super-herói/heroína? Se respondeu Dilma Rousseff, errou feio. É Shinzo Abe, primeiro-ministro japonês faz quase cinco meses.

Não é só na "Economist" que a pobre Dilma perde para Abe. Na própria Folha, o crescimento japonês ganhou manchete de página no caderno "Mundo", mas o do Brasil não mereceu idêntico privilégio no caderno "Mercado".

Até entenderia o tratamento mais rico para quem cresceu menos se, por acaso, Dilma e Abe praticassem políticas econômicas muito diferentes, ele pró-mercado, como gosta a grande maioria da mídia nacional e internacional, e ela fosse uma espécie de Hugo Chávez de saias.

Mas não é assim. Com as inevitáveis diferenças decorrentes das respectivas histórias e tamanho da economia, vale para Dilma o que a "Economist" diz da "Abenomics", como está sendo chamado o modelo do novo premiê japonês: é "um misto de reinflação, de gasto do governo e de uma estratégia de crescimento desenhada para chacoalhar a economia de um estado de animação suspensa que a sufocou por mais de duas décadas" e que pretende "tornar o governo vigoroso de novo".

(Usei o neologismo reinflação em lugar de "reflation", em inglês, para deixar claro que se trata de reverter a deflação que o Japão enfrenta há muito tempo e que, de resto, a "Abenomics" ainda não conseguiu desmanchar. O índice de preços ao consumidor mostrou queda de 0,9% em março, o décimo mês consecutivo de deflação.)

O texto da "Economist" soa a elogio, a ponto de dizer que Abe "eletrizou uma nação que havia perdido a fé na sua classe política".

Para Dilma, ao contrário, a revista britânica reservou há pouco um necrológio, ao definir como "moribunda" a economia brasileira.

Não só a "Economist", mas nove de cada dez analistas que habitualmente frequentam as páginas dos jornais não acham que Dilma eletrize alguma coisa; ao contrário, em vez de eletrizante, ela é retratada como insuportável intervencionista.

Não estou dizendo que as políticas de Dilma devam ser elogiadas ou que não tenham defeitos. O que não me parece lógico é tratar como tamanha diferença de enfoque políticas que têm um razoável parentesco -e resultados idem.

Até porque a opinião pública, no Japão como no Brasil, trata igualmente seus respectivos governantes. Abe, lembra a "Economist", tem 70% de aprovação. Dilma, lembra o Datafolha, está com 64%, o mais alto índice desde que tomou posse há dois anos e cinco meses.

Pode ser que, mais lá na frente, a diferença de tratamento se justifique, sabe-se lá. Mas, por enquanto, faz lembrar, com sinal trocado, antiga propaganda de um produto japonês fabricado no Brasil que dizia algo como "nossos japoneses são mais criativos que os outros".

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Comida, essa desconhecida - JOÃO UBALDO RIBEIRO

Entre as doenças mais modernas que um catálogo cada vez maior põe à nossa disposição, está, como aprendi faz poucos anos e até a mencionei aqui, a ortorexia. A palavra ainda não foi dicionarizada, mas a experiência sopra que alguma multinacional farmacêutica já está desenvolvendo um medicamento poderoso para combater o novo mal e ser vendido com tarja preta, ao custo de uns quatrocentos contos a cartelinha. Em breve, teremos o anúncio dessa descoberta nos noticiários de tevê e nas páginas de saúde dos jornais e assistiremos a tocantes depoimentos de doentes, notadamente os que conseguiram recuperar-se a tempo de refazer suas vidas destroçadas.

A ortorexia é a preocupação mórbida e obsessiva com o que a vítima come. Isso se dá em relação ao tipo de comida, seu preparo, sua origem, sua quantidade e, enfim, tudo o que tenha a ver com a alimentação. Em casos extremos, o padecente não faz mais nada na vida, além de procurar informações sobre alimentos na internet, retirar-se do recinto caso alguém coma açúcar em sua presença, ir a quitandas remotas para comprar produtos naturais e conferir o relógio o tempo todo, para ver se não está na hora de cumprir algum dever alimentar, em cujo rol também se inclui beber água com o PH adequado de tantas em tantas horas, até se atingir o mínimo de oito copos diários.

Mas a vida é difícil, mesmo para quem observa tantas precauções quanto ao que ingere. Há muito não sabemos produzir nossos próprios alimentos e certamente há crianças urbanas que pensam que galinha é uma coisa de comer que se compra no supermercado e não sabem direito que se trata do cadáver de um animal que já cacarejou e se mexeu. E porque desconhecemos como cultivar plantas, pastorear, caçar ou até cozinhar, somos forçados a depender de uma cadeia intrincadíssima de produtores e fornecedores — e aí é que o bicho pega, razão pela qual toda hora tomamos um susto.

Comer carne de cavalo é bobagem. Como nutrição, a carne de cavalo é comparável à de outros animais. O problema é que os cavalos transformados em hambúrgueres não foram criados para corte e tomaram remédios e vacinas — perdão — cavalares e sua carne assim contaminada pode fazer mal a quem a ingere. Além disso, o indivíduo (ou indivídua; de vez em quando, como vocês sabem, procuro seguir as normas gramaticais da República, embora lembre que, mesmo no Império Romano, Cæsar non supra grammaticos, o césar não (estava) acima dos gramáticos, isto é só no Brasil) pode recusar-se a comer carne de cavalo, de cachorro, de gato, de rato, ou do que considere inaceitável. Enfim, todos deviam ter o direito de saber o que estão comendo.

Deviam, mas não têm. Se no momento estamos comendo carne de cavalo, não sei, nem há como ter plena certeza. Em feiras pelo Brasil afora, vende-se charque de carne de jegue, ainda mais agora, quando os jegues estão sendo ingratamente esquecidos e substituídos por motos. Quase todo dia, lemos nos jornais sobre fabricantes que roubam no peso, mentem ou iludem nos rótulos, fazem misturas indevidas na massa do pão e perpetram todo tipo de tramoia. Uma dessas, que não chega a ser tramoia, mas é suspeita, é o uso de transgênicos. Em toda parte do mundo, olham atravessado para eles, mas aqui eles são usados, sua presença denunciada apenas por um timbrezinho discretíssimo.

Os transgênicos, contudo, não são nada diante da grossura bestial do que se pratica aqui. Há umas duas ou três semanas, noticiou-se o caso do leite adulterado. Praticamente, misturava-se veneno a leite vendido em supermercados como fresco, sadio e fiscalizado. O negócio era tão conscientemente nocivo que um dos responsáveis pelo trambique criminoso mandava que, antes de envenenarem o leite, separassem o destinado ao consumo de sua família. Ou seja, quem comprou leite dessa origem e o vem consumindo sabe-se lá há quanto tempo se intoxicou e talvez adoeça e tudo vai ficar por isso mesmo.

Vai ficar por isso mesmo porque aqui tudo fica por isso mesmo e, neste instante, estou ouvindo um comentarista informar que cabe recurso da sentença que rejeitou recurso contra a sentença definitiva condenatória de um dos réus do mensalão. Salta aos olhos a premência da criação do Supremíssimo Tribunal de Recursos, cujo brasão ostentaria o singelo dístico — perdoem o latim outra vez, isto passa — Ad Infinitum e cuja missão seria julgar as doze novas instâncias de recursos a serem instituídas na nossa estrutura processual, bem como da Comissão Nacional de Recursos, encarregada de judiciar os recursos impetrados contra decisões definitivas do Supremíssimo.

Pode-se, portanto, botar veneno dolosamente no leite e vendê-lo, que nada acontecerá, até porque caberá recurso contra tudo o que ocorrer na trajetória judicial do problema. Problema, aliás, nenhum. Problema é o de quem bebeu o leite, pois, afinal, desde os romanos que se recomenda — juro que é a última vez, é um vírus passageiro — caveat emptor, que se precate o comprador. E ninguém é mais culpado de nada, isso está inteiramente fora de moda. A culpa é sempre exógena. O delinquente individual é vítima da sociedade, de uma situação econômica iníqua, de negligência familiar, falta de educação, bullying e de mais o que se insinue à imaginação. Portanto, os verdadeiros criminosos são as vítimas e os atos criminosos não passam de consequência de nossa ação ou inação. Coletivamente, também ninguém é responsável por nada. Quando a empresa pública comete um erro e é multada, quem paga a multa não são os responsáveis, somos nós. Quando é privada, quem paga são os acionistas. O envenenamento é livre, quem não confiar que mantenha um laboratório bioquímico em casa. Ou coma insetos, como sugere a FAO, nenhuma grande novidade. Mosca, por exemplo, nós já comemos há muito tempo.

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Era uma vez - DANUZA LEÃO

Outro dia eu estava num café, e sentado ao meu lado, havia um jovem de 28 anos, já casado. Havia também uma TV; e na tela, cantando e dançando, Ricky Martin. Como sou meio desligada, perguntei ao garoto se o cantor não tinha sido do grupo Menudos.

Tive a impressão de ter dito uma palavra em javanês. Ele fez um esforço de memória e perguntou: Menudos? Custei a entender que ele nunca tinha ouvido falar do grupo. Não que fosse alguém alienado do panorama musical. Era apenas uma questão de faixa etária.

Passei uns momentos o testando: ele sabia quem havia sido Doris Day? Tinha ouvido falar de Grace Kelly, Rita Hayworth, Ava Gardner? Não! Ele nunca havia ouvido falar de nenhuma dessas pessoas.

Desisti, claro. E após ficar chocada, imaginei: se ele citasse algum dos cantores de rock atuais, algum conjunto bem moderno, desses que vão tocar no Rock in Rio, sabe qual seria a minha resposta? Zero.

É muita informação. São muitos cantores, muitos conjuntos, muitos tipos de música. Não dá para esperar que esta geração tenha ao menos ouvido falar dos nossos ídolos.

Nos tempos em que a informação era mais discreta, era fácil ter ouvido falar em Napoleão. Fico pensando: o que pode ser desculpado, quando se fala em nova geração?

Com que idade se tem o direito de não saber quem foi Yuri Gagarin ou que o Festival de Woodstock aconteceu? Ou que um dia o mar de Copacabana era muito mais próximo dos edifícios, e que no Maracanã havia a geral, de onde os torcedores assistiam às partidas em pé?

Ou então que todos os apartamentos tinham área de serviço e quarto de empregada?

E quando o professor, ao entrar na sala de aula, era recepcionado pelos alunos, todos de pé, o saudando com um bom dia ou boa tarde? E nem faz tanto tempo!

No início do ano letivo, o colégio estava sempre cheio de novidades. As crianças ganhavam uma lancheira de metal nova, onde levavam um pãozinho doce e uma fruta que não precisasse de faca -geralmente tangerina ou banana.

Ganhavam também uma régua de madeira, um compasso, um lápis Faber nº 1 e outro nº 2 (o apontador era daqueles de manivela, preso na mesa da professora), borracha e uma caixa de lápis de cor.

Dependendo da condição econômica dos pais, essa caixa era de seis lápis, 12 ou 18, e essas últimas deslumbravam as mais pobrinhas. E os lápis franceses Caran D'Ache, que só uma das alunas tinha, eram o sonho impossível de todas as meninas.

Agora, acredite: havia aulas de delicadeza. Já ouviu falar? Nessas aulas se ensinava como se comportar, como cumprimentar uma pessoa e como se sentar.

Não havia lanchonete. À venda, apenas mariolas, que eram retângulos de bananada passados no açúcar cristal, e paçocas.

Quem tivesse sido apanhada conversando durante a aula tirava nota baixa no quesito comportamento, além de perder o recreio e ficar de castigo na capela. Se a infração fosse mais grave, o castigo seria ficar de joelhos no milho.

Aos sábados nos confessávamos, para então comungar no domingo, em jejum e com um véu branco na cabeça. Quem não fosse à missa, caía em pecado mortal; e se morresse antes de confessar e ser absolvida pelo padre, ia para o inferno.

Tudo isso aconteceu, e nem faz tanto tempo. E nunca ninguém pensou que o ano 2000 fosse chegar.

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Batalha parlamentar dos portos pode ser decidida nos vetos


Pedro do Coutto
A reportagem de Maria Lima e Danilo Farielo, O Globo edição de 16, foi a mais completa a focalizar o desfecho, na Câmara, da Medida Provisória do governo que altera o sistema portuário do país. As idas e vindas, marchas e contra marchas, foram uma constante da sessão iniciada às 13 horas do dia 15 e que se prolongou até as 4 da manhã de 16. A reportagem, portanto, foi redigida no alvorecer da própria quinta-feira. Os repórteres chamam atenção para um ponto surpreendentemente não percebido e não considerado pelas lideranças do Executivo no Congresso: o poder de veto da presidente da República.
Foram desenvolvidos esforços hercúleos para – vejam só os leitores – derrubar emenda aglutinativa do deputado Eduardo Cunha que, segundo a matéria, atuava para obstruir os trabalhos. Os esforços não tiveram consequência concreta e acentuaram uma forte contradição. Derrotada a emenda, para superar a obstrução, o governo recorreu ao deputado Sibá Machado, do PT do Acre, que reapresentou como sua uma emenda cujo texto era idêntico ao da emenda rejeitada.
Eduardo Cunha deixou de obstruir e deixou a obstrução por conta dos oposicionistas. Afinal, líder do PMDB, integra a base aliada do governo no Parlamento. O confronto, assim, desloca-se para a fase de apreciação dos vetos da presidente da República, caso os dispositivos que atritam com o projeto original do Planalto sejam mantidos pelo Senado. No caso, claro, de o Senador votar em tempo a Medida Provisória. Escrevo este artigo na tarde de quinta-feira.
TANTO ESFORÇO…
Mas se o governo concordou com a aprovação para vetá-la no momento de transformar a MP em lei, por que empenhou-se tanto em derrubar a emenda no plenário da Câmara Federal? Não havia necessidade de tanta discussão, tanto trabalho e esforço. A reportagem de Maria Lima e Danilo Farielo focaliza o tema. A manobra do governo – acentua – acabou criando uma situação inusitada. Os líderes que, na véspera, discursaram contra a emenda Eduardo Cunha, nas horas seguintes passaram a defender o mesmo conteúdo embutido na emenda Sibá Machado.
Os líderes da oposição tentaram inviabilizar a manobra cobrando do presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves, argumentando que ele não deveria colocar em votação um texto já rejeitado. Mas o presidente da Câmara colocou em votação e a emenda Sibá foi aprovada. Posteriormente, o presidente da Câmara rejeitou liminarmente emendas apresentadas por deputados do DEM pelo fato de versarem sobre pontos já derrotados. Dois pesos e duas medidas.
Eduardo Cunha, no final da ópera, antes da escala no Senado, criticou a liderança governista. Está faltando articulação eficiente, disse. Falta jogo de cintura. Uma pessoa com o perfil, por exemplo, de Antonio Palocci, capaz de atitudes construtivas. Na opinião do líder do PMDB, mesmo que o Senado aprove o texto original do governo não garantia a renovação das concessões estabelecidas antes de 93. Mas o texto de Cunha, reeditado por Sibá Machado, sim.
Ao citar a possibilidade de recurso ao STF, Eduardo Cunha possivelmente considerava em seu raciocínio a hipótese do veto. Pois caso contrário não haveria motivo nem parte interessada em recorrer na busca de manter um direito.




via tribuna da imprensa

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UM FIO DE ESPERANÇA


Plínio Zabeu
O tempo vai passando e o receio de um final feliz para  corruptos no Brasil vai criando um  sentimento de revolta e de medo do que possa acontecer se a ação e julgamento do mensalão pelo STF acabar em simplesmente nada. Ou seja, as penas serão reduzidas ou anuladas, os deputados  e demais condenados continuarão com seus mandatos, direitos e  poderes até para mudar o que resta da Justiça.
Ministro Joaquim Barbosa
Ministro Joaquim Barbosa
A esperança hoje pode ser considerada como um fio, já que até o presidente do STF já se manifesta inseguro. Ainda existe o brasileiro honesto, consciente, pagador de impostos e respeitador das leis que conta com o sucesso no combate ao terrível mal da corrupção.  Não vai ser nada fácil  pois as inúmeras leis permitem tais infindáveis recursos.
Chocantes as palavras do ministro     Joaquim Barbosa depois de rejeitar o embargo infringente  feito pela defesa de um dos condenados: “Trata-se de uma tentativa de eternizar o feito, conduzindo tudo para o descrédito da justiça brasileira,  costumeira e  corretamente criticada justamente pelas infindáveis possibilidades de ataques às suas decisões”.
Vindo da maior autoridade da Justiça,  realmente gera um receio grave e a incerteza de um final que todos  esperávamos.  Durante o atual período de embargos,  haverá modificações na formação dos ministros e, corre-se o risco ainda, de mudanças na legislação, iniciadas por companheiros partidários dos condenados, visando diminuir drasticamente ou até cessar os poderes do  setor judicial.  Se conseguirem isso, será o fim da esperança e novos tempos virão consagrando a corrupção, a deslealdade a falta de responsabilidade de dirigentes dos principais poderes da República.
A luta deve continuar e contamos com a seriedade que resta entre  muitos políticos brasileiros, para que todos se tornem iguais perante a Lei no Brasil.




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Charge do Duke

Charge Tempo 19/05
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MÉDICO OU MEDICU


Adauto Medeiros (*)
Dr. Goebels, Ministro da Propaganda de Hitler dizia que uma mentira repetida várias vezes torna-se verdade. A história dos médicos cubanos e da medicina cubana aqui no Brasil de Dilma Rousseff, é uma dessas mentiras que estão tentando transformar em verdade.
Pensem bem: como um país em que as pessoas recebem ticket refeição para apanhar nos armazéns de venda de comida, pode ter uma profissão tão cara e que exige tanta qualificação para concluí-la quanto a de médico?
Hospital cubano
Hospital cubano
Nossos comunistas deveriam ir a Cuba estudar este milagre e implantá-lo aqui no Brasil.
Seriam os médicos brasileiros inferiores em conhecimento aos médicos cubanos? Nem de longe. Pode até ser que os médicos cubanos sejam bem treinados ou que foram treinados para defender um regime que os transforma em pedintes. Um médico cubano – em Cuba – ganha um salário de 60 reais
Ora, com esse salário, fica provado que além de ruins os médicos cubanos são um péssimo exemplo para todos aqueles que querem seguir carreira. Particularmente eu morro de pena não é dos falsos médicos e sim dos pacientes. Ora, como uma nação que não tem nem comida – desculpe, estou falando dos cubanos – menos claro para as pessoas da alta cúpula do Partido Comunista ou mesmo os puxa-sacos dos poderosos, pode ter bons médicos?
O regime cubano promoveu ao longo de sua história uma verdadeira falta geral nos bens materiais, a ponto de faltar até mesmo caráter entre o seu povo. Posso afirmar que o sonho de qualquer cubano é o de ser guia de turismo, pois só assim eles podem comer. Em Cuba refeição digna só para as pessoas do turismo e quem tem direito a três refeições diárias termina comendo como se fosse a última comida.
Ora, Fidel Castrado, troca 100 mil barris de petróleo com a Venezuela, mas não foi capaz com a sua “saúde” de primeiro mundo, fazer viver Hugo Chaves. Em Cuba os cubanos só conhecem remédios vindos das raízes e mesmo assim não descobriram as raízes do comunismo e da fome. Haja burrice.
(*) Engenheiro civil e empresário. adautomedeiros@bol.com.br




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Pobre Argentina - SUELY CALDAS

ESTADÃO 

A Argentina vai mal. Divide com a Venezuela a posição de pior economia da América Latina e sua situação deteriora com impressionante rapidez, comprova pesquisa da Fundação Getúlio Vargas em parceria com o instituto alemão Ifo - que juntos elaboram um índice de clima econômico na região. Em apenas quatro meses, entre janeiro e abril deste ano, esse índice na Argentina desabou de 5,2 para 3,4 pontos e a expectativa é de que haja piora diante de uma onda de desinvestimentos, com empresas desistindo de projetos ou abandonando o país.

Segundo a pesquisa, os problemas que empurram a Argentina para o abismo obedecem esta ordem: falta de confiança em políticas públicas, inflação em alta, competitividade em baixa, déficit público e escassez de capital. São efeitos de uma política - que se tem mostrado fracassada em países da América Latina - de miúdas e graúdas intervenções do governo na economia, mudando regras a todo instante e criando um ambiente instável e desfavorável para decisões de investimentos. Para tocar um negócio, é preciso haver um mínimo de estabilidade de regras.

Em março, a brasileira Vale desistiu de um bilionário projeto de exploração de potássio no Rio Colorado. Motivo: os desequilíbrios cambiais derivados de sucessivas intervenções do governo dobraram o custo do negócio, de US$ 5,9 bilhões, em 2009, para US$ 10,9 bilhões, no início deste ano. O governo brasileiro não gostou da decisão da Vale, mas como obrigar uma empresa privada a rasgar dinheiro?

Mesmo a estatal Petrobrás tem planos para desembarcar do atoleiro argentino. "A Petrobrás argentina está no nosso portfólio de desinvestimentos", respondeu há dias a presidente Graça Foster a parlamentares que indagavam se procedia notícia publicada na imprensa portenha segundo a qual a estatal teria vendido 51% dos ativos da subsidiária argentina para a Oil Combustibles. "Estamos negociando a venda desses ativos, mas não há nada fechado", respondeu ela.

Tem razão Graça Foster: a Petrobrás só conseguiu enviar ao Brasil 10% dos US$ 22 milhões que pretendia, no ano passado. Além disso, a empresa foi penalizada por longo congelamento de preços dos combustíveis aqui e seus recursos estão muito abaixo do necessário para cumprir seu programa de investimentos no Brasil. Para fazer caixa, ela partiu para um plano de desinvestimentos em que a venda de ativos na Argentina desponta na liderança.

Vale e Petrobrás, no entanto, não estão sozinhas. A mineradora Los Andes, controlada pela canadense McEwen Mining, anunciou a revisão de um projeto de extração de ouro, prata e cobre avaliado em US$ 2,7 bilhões. Paradas e também à espera estão a Cerro Vanguardia e duas outras empresas de mineração: Mansfield e Siles. Já a Minera Argentina, da canadense Pan American Silver, desistiu de suas operações e subtraiu US$ 800 milhões em investimentos. Só no setor de mineração os projetos suspensos causaram uma perda estimada em US$ 15 bilhões, que deixarão de entrar na Argentina nos próximos três anos.

Defasagem cambial, inflação elevada, barreiras às importações, restrições à remessa de lucros das empresas e carga tributária elevada são os problemas criados pelo governo e que têm afastado investimentos estrangeiros, imprescindíveis para um país que não tem poupança interna para tocar seu progresso. Incalculável, a perda de empregos vai à casa dos milhares e a Argentina deixa de produzir riqueza e renda para sua população.

Casal populista. Desde o governo Néstor Kirchner, o problema da Argentina é de um estilo de gestão populista, em que interesses políticos imediatos subjugam a economia e prejudicam o progresso econômico no longo prazo. E, como a repetição dessa prática acaba produzindo resultados desastrosos adiante, chegou a hora de pagar a conta da inconsequência. Coube a Cristina Kirchner fazê-lo agora.

Morto em outubro de 2010, Néstor Kirchner assumiu o poder em 2003, com o país no caos financeiro e uma moratória que dramatizou a pobreza. Três anos depois, ele reduziu o desemprego para 10%, saiu da moratória e acumulou reservas cambiais, mas a pobreza se manteve em 33,5% da população. Só que Kirchner enveredou pelos caminhos do populismo político de ganhar a eleição a qualquer preço. Como a inflação ameaçava a reeleição, ele decretou intervenção no Indec (o IBGE de lá), demitiu técnicos sérios que se negaram a manipular pesquisas e passou a divulgar índices de inflação desmoralizados e desacreditados dentro e fora da Argentina.

Calculada por instituições sérias, em 2012 a inflação real foi de 25,6%, mas a fantasiosa do governo ficou em 10,8%. A manipulação se estendeu ao cálculo da pobreza, que o Indec afirma ter sido reduzida para 5,4% da população em 2012 e a Universidade Católica Argentina (UCA), que há anos elabora um índice paralelo, dimensionou em 26,9%.

Como o índice oficial é o que prevalece nas negociações salariais, nos últimos anos as lideranças sindicais trabalhistas passaram a fazer oposição a Cristina. Mas como chegou a hora de pagar a conta e com uma eleição legislativa se aproximando, na quinta-feira ela fechou um acordo com seis sindicatos aliados para elevar em 24% os salários de 2 milhões de trabalhadores, reconhecendo, afinal, a inflação de 26,9%. Os sindicatos opositores, porém, já anunciaram que vão reivindicar 30%.

Além de lideranças sindicais, Cristina vem perdendo apoio de personalidades populares no país. O caso mais recente foi o do ator Ricardo Darin, respeitado mundialmente no mundo do cinema, que rompeu com a presidente depois de questionar o rápido enriquecimento do casal Kirchner. Denúncias de corrupção e enriquecimento ilícito, aliás, não faltam na Argentina. Num programa de TV, a ex-secretária de Néstor Kirchner Mirian Quiroga denunciou que bolsas cheias de dinheiro chegavam à Casa Rosada durante o governo do ex-presidente e afirmou que sua mulher e sucessora, Cristina Kirchner, sabia das operações do marido. A acusação foi parar na Justiça.

Em dez anos de governo do casal Kirchner, a política degradou e a economia desandou na Argentina. Inflação alta e crescimento baixo são o que se espera para 2013. Cristina e seus aliados terão dificuldades nas próximas eleições.

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Oficiais recém-aposentados reagem à Comissão da Verdade


Evandro Éboli - O Globo 

  BRASÍLIA - As críticas que setores militares fazem à Comissão Nacional da Verdade e à presidente Dilma Rousseff não se restringem à velha guarda, hoje na reserva e com idade entre 70 a 80 anos. Há uma outra geração de oficiais de alta patente, que há dois, três anos estavam na ativa, para quem a comissão é revanchismo de esquerda.
O incômodo desses militares ficou claro no depoimento do coronel Brilhante Ustra, semana passada, quando dois generais tomaram as dores do ex-chefe do DOI-Codi de São Paulo. O general Luiz Adolfo Sodré de Castro, que até 2011 era o Comandante Militar do Planalto, protestou contra a intervenção do torturado Gilberto Natalini, vereador em São Paulo pelo PV. E reagiu, exaltado, quando Natalini pediu para não ser chamado de terrorista.

— E vai fazer o que comigo? Vai me matar? — respondeu Sodré, gritando.

Revanchismo aparece até nas novas gerações

General da Reserva 
Luiz Eduardo Rocha Paiva Oficiais criticam presidente Dilma e a Comissão da Verdade
O general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva, figura de destaque no Exército, também acompanhou a reunião da Comissão da Verdade na semana passada. Até 2007, ele era comandante da Escola de Comando do Estado Maior do Exército e foi também secretário-geral do Comando do Exército. Paiva tem 62 anos e, dessa geração, é o mais crítico à instalação da comissão.

Na véspera da sessão que ouviu Ustra, Paiva participou de uma audiência pública na Câmara, que discutiu projeto da deputada Luiza Erundina (PSB-SP) que pretende rever a Lei de Anistia e prega a punição para os militares que atuaram na ditadura.

— Não houve terrorismo de Estado, mas defesa do Estado contra a ameaça de modelos que vinham de Pequim, Moscou e Havana. Deveria ser feita a reconstituição de graves violações e prestada assistência às 120 vítimas dos que estavam do outro lado. Não são cidadãos de segunda — disse o general.

Aos 56 anos, o coronel da Aeronáutica Miguel Angelo Braga Grillo, da reserva, diz que não só militares que recentemente foram para reserva têm esse entendimento de revanchismo, mas também os da ativa, que não podem se manifestar.

— O militar, de maneira geral e felizmente, tem um bom padrão de formação e está informado das coisas. Todos nós sabemos que a Comissão da Verdade é visivelmente distorcida e tem uma visão caolha, monocular. Só enxerga o que interessa. A sociedade vê a comissão como algo unilateral, mas é acomodada. Fica assistindo novela — disse o coronel Braga, que vive no Rio.

O coronel do Exército Guilherme Henrique dos Santos Hudson, de 59 anos, também critica com veemência a comissão e diz que há um sentimento revanchista.

— A comissão é composta por indicados por uma pessoa (Dilma) que deveria estar sentada no banco dos réus porque cometeu atos terroristas no passado. São sete que estão do lado que perdeu a revolução. Os derrotados — disse o coronel, que mora no Espírito Santo.

Ex-preso político e atual Coordenador do projeto Direito à Memória e à Verdade da Secretaria Especial de Direitos Humanos, da Presidência da República, Gilney Viana afirma que há esse sentimento na nova geração de militares:

— Recentemente uma turma que se formou na Aman (Academia Militar de Agulhas Negras) foi batizada de Médici (terceiro presidente da ditadura). Instrutores e os manuais militares ainda têm outra visão da História e ensinam o seu lado.

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Base aliada sim, mas não muito


Carla Kreefft 
Há sintomas claros da dificuldade do governo da presidente Dilma Rousseff com sua base. Por mais que o governo comemore e agradeça a votação da Medida Provisória dos Portos na Câmara, é sabido que o PMDB, o PSB e até mesmo o PT deram muito trabalho a seus líderes.
Nos bastidores de Brasília, a avaliação é que a presidente restringe sua relação com a ala que a sustenta a alguns almoços e jantares com os dirigentes de bancada.
Tem deputado e senador que nunca foram recebidos pela presidente. Outra reclamação recorrente é a falta da conversa ao pé de orelha. Segundos os parlamentares com acesso ao Palácio do Planalto, Dilma faz conversas muito formais com suas lideranças legislativas, sempre na presença de um integrante do gabinete da Presidência ou de um ministério interessado na pauta a ser discutida. Não há confidências e muito menos inconfidências.
Na lista das insatisfações, ainda está a ausência completa de atendimento à chamada demanda de varejo. Na verdade, os parlamentares afirmam que a presidente e mesmo a ministra Ideli Salvatti não têm atendido às reivindicações mais individuais dos deputados e senadores. As negociações são feitas em bloco, de forma a atender às bancadas se houver concordância dos ministérios.
Todas essas dificuldades afastam a presidente petista do Congresso, mas, mais do que isso, cria um clima de animosidade que não é muito fácil de ser vencido, por mais que seus interlocutores tentem amenizar e resolver os impasses mais particulares.
Mas não é somente no Congresso que Dilma tem problemas. Nos ministérios, a situação não é diferente. Nesses órgãos, a reclamação parte, quase sempre, do segundo escalão. É que a turma que está imediatamente abaixo dos ministros tem sido esquecida. Os atuais ministros, segundo os que reclamam, são centralizadores, não permitem aproximação do segundo escalão com a presidente e, dessa forma, deixam chegar a Dilma apenas o que eles querem.
Resultado disso é que vários ocupantes de cargos de secretários nacionais (primeiro posto após o de ministro) estão deixando o governo. Isso está acontecendo, por exemplo, no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio exterior, em que Fernando Pimentel manteve divergências com o número dois da pasta, Alessandro Teixeira, que saiu do cargo. Teixeira era considerado nome da cota pessoal de Dilma. Problema semelhante ocorreu entre Nelson Barbosa e o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Barbosa também deixou seu posto.
Ironizando a situação, parlamentares dizem que Dilma escolheu ministros tão duros e sem jogo de cintura como ela própria. Estratégia fatal.

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Charge do Sponholz


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QUEM SABE ESCREVER É OUTRA COISA


Mami
Até escritores sérios nem sempre são sérios. Principalmente se tem senso de humor. Num momento de descontração, o grande poeta brasileiro Carlos Drumond de Andrade escreveu:
“Satânico é meu pensamento a teu respeito
Carlos Drumond
Carlos Drumond
e ardente é o meu desejo de apertar-te em minhas mãos,
numa sede de vingança incontestável
pelo que me fizeste ontem.
A noite era quente e calma e eu estava em minha cama,
quando, sorrateiramente, te aproximaste.
Encostaste o teu corpo sem roupa no meu corpo nú,
sem o mínimo pudor!
Percebendo minha aparente indiferença, aconchegaste-te a mim
e mordeste-me sem escrúpulos.
Até nos mais íntimos lugares.
Eu adormeci.
Hoje, quando acordei, procurei-te numa ânsia ardente, mas em vão.
Deixaste em meu corpo e no lençol provas irrefutáveis
do que entre nós ocorreu durante a noite.
Esta noite recolho-me mais cedo, para na mesma cama te esperar…
Quando chegares, quero te agarrar com avidez e força.
Quero te apertar todas as forças de minhas mãos.
Só descansarei quando vir sair o sangue quente do teu corpo…
Só assim, livrar-me-ei de ti… pernilongo Filho da Puta…




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Quando eu estiver louco se afaste - MARTHA MEDEIROS

Há que se respeitar quem sofre de depressão, distimia, bipolaridade e demais transtornos psíquicos que afetam parte da população. Muitos desses pacientes recorrem à ajuda terapêutica e se medicam a fim de minimizar os efeitos desastrosos que respingam em suas relações profissionais e pessoais. 

Conseguem tornar, assim, mais tranquila a convivência. Mas tem um grupo que está longe de ser doente: são os que simplesmente se autointitulam “difíceis” com o propósito de facilitar para o lado deles. 

São os temperamentais que não estão seriamente comprometidos por uma disfunção psíquica — ao menos, não que se saiba, já que não possuem diagnóstico. São morrinhas, 
apenas. Seja por alguma insegurança trazida da infância, ou por narcisismo crônico, ou ainda por terem herdado um gênio desgraçado, se decretam “difíceis” e quem estiver por perto que se adapte. Que vida mole, não? 

Tem uma música bonita do Skank que começa dizendo: “Quando eu estiver triste, simplesmente me abrace/Quando eu estiver louco, subitamente se afaste/quando eu estiver fogo/suavemente se encaixe...”. A letra é poética, sem dúvida, mas é o melô do folgado. 

Você é obrigada a reagir conforme o humor da criatura. Antigamente, quando uma amiga, um namorado ou um parente declarava-se uma pessoa difícil, eu relevava. Ora, estava previamente explicada a razão de o infeliz entornar o caldo, promover discussões, criar briga do nada, encasquetar com besteira. Era alguém difícil, coitado. E teve a gentileza de avisar antes. Como não perdoar? 

Já fui muito boazinha, lembro bem. Hoje em dia, se alguém chegar perto de mim avisando “sou uma pessoa difícil”, desejo sorte e desapareço em três segundos. 

Já gastei minha cota de paciência com esses difíceis que utilizam seu temperamento infantil e autocentrado como álibi para passar por cima dos sentimentos dos outros feito um trator, sem ligar a mínima se estão magoando — e claro que esses “outros” são seus afetos mais íntimos, pois com colegas e conhecidos eles são uns doces, a tal “dificuldade” que lhes caracteriza some como num passe de mágica. Onde foi parar o ogro que estava aqui? 

Chega-se numa etapa da vida em que ser misericordioso cansa. Se a pessoa é difícil, é porque está se levando a sério demais. Será que já não tem idade para controlar seu egocentrismo? 

Se não controla, é porque não está muito interessada em investir em suas relações. Já que ficam loucos a torto e direito, só nos resta se afastar, mesmo. E investir em pessoas alegres, educadas, divertidas e que não desperdiçam nosso tempo com draminhas repetitivos, dos quais já se conhece o final: sempre sobra pra nós os fáceis.

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Forças Armadas, Camarada Estela e... A Comissão da Verdade


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Assentar seu ninho no porão, saída para os tucanos


Carlos Chagas
Deve cuidar-se o senador Aécio Neves. Apesar de eventuais discursos sobre a necessidade de mudanças no perfil do PSDB, que deveria voltar-se para as classes menos favorecidas, a verdade é que a muralha paulista continua a mesma. Mais do que demonstrarem desprezo pela hipótese de  ceder a candidatura presidencial a Minas, os tucanos paulistas  mantém a mesma empáfia de donos da verdade, capazes apenas de impor seu modelo e no máximo de distribuir favores.
O próprio Fernando Henrique não esconde a presunção de trazer do passado a fórmula  para o futuro, apesar de ter sido o  primeiro a estimular Aécio a candidatar-se,  e o partido,  a buscar apoio nas classes C e D. Pura retórica. Geraldo Alckmin, José Serra e penduricalhos continuam se apresentando como detentores da única estratégia capaz de servir ao país, ou seja, de tutelar as maiorias sem dar-lhes voz, apesar de pretenderem seu voto.
Do que o ex-governador de Minas e candidato mais do que provável ao palácio do Planalto é de renovação no partido.  Da importância de surgirem novos líderes em condições de contrabalançar o discurso anacrônico do neoliberalismo dos paulistas.  Não se trata de distribuir benesses e favores às massas, mas de reconhecer-lhes o direito de exigir, impor e até   tomar aquilo que lhes é devido.
Nenhum sucesso obterão o PSDB e o seu quase ungido candidato  enquanto o Grão-Tucanato se  imaginar acima e além da população, instalado num camarote de onde seus cardeais   poderão  distribuir moedas aos que julgam seus subordinados e inferiores. Foi assim que o Lula e o PT viraram o jogo, estimulando a impressão de que as decisões, com eles, viriam de baixo,  sem considerações com o andar de cima. Descer ao porão, assim, nele assentando seu ninho, seria a solução para os tucanos ganharem a eleição. Abrir amplas janelas para voar em seguida seria questão de competência.

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COMO (NÃO?) FUNCIONAM OS GOVERNOS DO PT


Giulio Sanmartini
Uma das mais lúcidas  inteligências brasileiras do Século XX, foi    a do diplomata, economista e também político Roberto de Oliveira Campos (1917/2001).
De uma feita, quando perguntada sua opinião dobre o Partido dos Trabalhadores, respondeu de forma rápida, aguda e brilhante: “O PT é um partido onde os trabalhadores não trabalham, os estudantes não estudam e os intelectuais não pensam”.
Lula e João Cândido
Lula e João Cândido
Roberto Camponão viu o PT chegar ao poder, mas hoje pode-se constatar que a definição dada por ele é muito mais ampla.
O petista é um governo onde a transposição é paralítica, o pré-sal é insosso, a   auto-suficiência da produção petrolífera  é feita com petróleo importado, o trem bala é construído com cartuchos de pólvora seca e fabrica navios que não flutuam.
É sobre esse último item que vou escrever.
No dia 7 de maio de 2010, ao lado de Dilma Rousseff, candidata escolhida para sucedê-lo, o então presidente Lula, foi ao Porto de Suape (PE) festejar o lançamento do navio petroleiro João Candido, que foi classificado como o símbolo do ressurgimento  da industria naval brasileira, pois foi produzido pelo Estaleiro Atlântico Sul (EAS), incorporada ao Programa de Modernização e Expansão de Frota da Transpetro (Promef) e incluída no ranking das proezas históricas do PAC.     
Lula como de hábito exagerou no  ufanismo insano que o acompanha; afirmou que, durante muito tempo, o Brasil foi conhecido internacionalmente apenas pelo futebol, pelo carnaval e pela violência e que projetos como o da Promef, têm mudado essa realidade:
“Duvido que algum empresário, algum embaixador brasileiro, já teve em algum outro momento tanto orgulho de dizer lá foram que é brasileiro. Hoje temos empresas no Canadá, nos Estados Unidos e fico orgulhoso por que cada empresa brasileira nesses países é um pedacinho do Brasil fincado lá”.
Mas o embandeirado casco vistoso casco do João Cândido (foto), criminosamente escondia soldas defeituosas e tubulações que não se encaixavam, além de um rombo cujas dimensões prenunciavam o desastre iminente. Se permanecesse mais meia hora no mar, Lula seria transformado no primeiro presidente a inaugurar um naufrágio. Continua estacionado no litoral pernambucano desde o dia do nascimento.
A Petrobras, que controla a Transpetro (dona do navio), além de não saber quando o João Candido vai navegar de verdade,  alegou que os defeitos de fabricação só podem ser consertados no exterior.
Este é um retrato da incompetência petista, que para piorar tudo vem emoldurada por uma corrupção jamais vista.
Fatos que vem contrariar o título do ensaio escrito pelo austríaco  Stefan Zweigt (1881/1942), “Brasil, país do futuro”, impresso no final da primeira metade dos anos 1900, pouco antes de tirar-se a vida, na cidade fluminense de Petrópolis, onde vivia como foragido do anti semitismo nazista. 




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